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NR-1 coloca saúde mental no centro das relações de trabalho


27.08.2026


Nova exigência determina que riscos psicossociais, como sobrecarga, assédio e estresse, sejam identificados e prevenidos; Coren-MS alerta para a importância de ambientes de trabalho mais seguros e saudáveis

A saúde mental dos trabalhadores passou a ocupar um espaço ainda mais importante na discussão sobre segurança e saúde no trabalho. Com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), os empregadores devem considerar também os chamados riscos psicossociais na identificação e no gerenciamento dos riscos ocupacionais.

Na prática, situações como sobrecarga de trabalho, jornadas excessivas, metas incompatíveis, falta de apoio, conflitos, assédio e pressão constante passam a integrar uma discussão que não pode mais ser ignorada: as condições em que o trabalhador exerce sua atividade também podem impactar diretamente sua saúde mental.

Para o Coren-MS, a mudança reforça uma questão especialmente relevante para a Enfermagem, categoria que atua diariamente em ambientes de alta responsabilidade, pressão e exposição a situações de sofrimento humano.

Saúde mental não é apenas uma questão individual
A discussão sobre riscos psicossociais amplia a compreensão de que o adoecimento relacionado ao trabalho não pode ser atribuído apenas à capacidade de cada profissional de lidar com situações de estresse.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima que mais de 840 mil mortes por ano estejam relacionadas a riscos psicossociais no trabalho. A entidade também aponta que depressão e ansiedade provocam a perda de aproximadamente 12 bilhões de dias de trabalho por ano, representando um impacto significativo para trabalhadores, organizações e para a economia mundial.

Na Enfermagem, fatores como jornadas prolongadas, dimensionamento inadequado, sobrecarga, pressão emocional, violência e assédio podem contribuir para um ambiente de trabalho adoecedor.

Por isso, a atualização da NR-1 representa também uma oportunidade para que instituições revejam processos, identifiquem situações de risco e adotem medidas preventivas.

O que muda para os empregadores?
A norma estabelece que os riscos relacionados à organização e às condições de trabalho sejam identificados, avaliados e, quando necessário, controlados.

Isso significa que não basta apenas reconhecer que determinado ambiente é estressante. É necessário identificar os fatores que podem causar ou agravar o sofrimento, avaliar os riscos e implementar medidas para reduzi-los.

Entre os aspectos que podem ser observados estão:

sobrecarga e excesso de demandas; jornadas extensas; falta de autonomia ou apoio; conflitos nas equipes; assédio moral ou sexual; pressão excessiva por resultados; insegurança e instabilidade no trabalho;
comunicação inadequada; ausência de condições apropriadas para execução das atividades. STF suspende sanções, mas mantém a norma em vigor a atualização da NR-1 também está sendo discutida judicialmente. O Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu temporariamente, por 90 dias, a aplicação de multas e outras sanções relacionadas à controvérsia discutida na ADPF 1316.

A decisão, entretanto, não suspendeu a vigência da norma.

A discussão no STF envolve, entre outros pontos, a necessidade de maior clareza sobre as obrigações dos empregadores, os critérios utilizados para avaliação dos riscos psicossociais e as consequências em caso de descumprimento.

Um alerta para quem cuida
Para o Coren-MS, a discussão vai além de uma obrigação normativa. Trata-se de reconhecer que a qualidade da assistência prestada também passa pelas condições de trabalho oferecidas aos profissionais de Enfermagem.

Um ambiente saudável não significa ausência de desafios. Significa oferecer condições para que o profissional possa exercer sua atividade com segurança, respeito, suporte e dignidade.

A nova realidade imposta pela NR-1 reforça uma mensagem que precisa alcançar gestores, trabalhadores e instituições: saúde mental no trabalho não deve ser lembrada apenas quando alguém adoece. Ela precisa fazer parte da prevenção.

Coren-MS valorizar a Enfermagem também é defender condições dignas e seguras para quem está todos os dias na linha de frente do cuidado.

Assessoria de Comunicação Coren-MS

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