Free cookie consent management tool by TermsFeed Generator

Com suor, sem lágrimas: Exercícios no combate à depressão


19.03.2013

Apesar de exigir muita força de vontade, a prática de exercícios é fundamental no combate à depressão. Segundo especialistas, a atividade física ajuda o corpo a produzir substâncias que provocam bem-estar e pode até mesmo reduzir o uso de medicamentos

De 2009 em diante, medo, tristeza e, principalmente, muita dor seguiram a servidora pública aposentada Darlene Barbosa, 51 anos. Vítima de dor crônica, ela enfrentou algumas hérnias há três anos, e as dores que sentia ficaram mais intensas quando, em setembro de 2011, ela descobriu que tinha neuralgia do trigêmeo, uma inflamação dos nervos da cabeça que provoca dor fulminante. De tão forte, o quadro é associado a casos de suicídio desde que foi descoberto por médicos. “Eu não dormia. Quando dormia, dormia pouco. Depois, acordava cansada, porque sentia dor. É uma situação muito delicada, muito sofrida”, lembra.

Do primeiro dia da dor até se considerar curada, em janeiro deste ano, Darlene fez questão de continuar se exercitando. “Assim como beber água e me alimentar, o exercício é fundamental. Tenho essa rotina desde a infância”, conta. Nem sempre, entretanto, ela conseguiu ir à academia participar da aula de hidroginástica. Por causa da dor e dos medicamentos, a aposentada não conseguia andar, comer ou beber água. “Cheguei aos 48kg, sendo que o meu normal são 53kg. Era uma depressão profunda.” Assim que saiu da cadeira de rodas, contudo, voltou à malhação.

“Ela é um exemplo de força”, comenta a professora de educação física Rafaela Novaes, que, sempre que percebia a aluna triste, colocava músicas dos Beatles e dos Bee Gees para animar as aulas. Muitas vezes, funcionava. “A prática em grupo é benéfica, estimula. Ela abriu a situação e teve apoio dos professores, dos outros alunos.” Para a professora, a hidroginástica ajudava Darlene a sair do ambiente hospitalar, por vezes, opressor.

Nem sempre, exercitar-se era exatamente agradável. Por causa de dores fortes, Darlene chegava a chorar durante as aulas. “Se eu não continuasse com minha rotina de exercícios, eu poderia atrofiar. Esse foi o ponto principal. Sempre imaginei que qualquer doença que venha ao meu encontro não pode ser maior do que eu”, analisa. Hoje, quase dois anos depois de descobrir a neuralgia, ela se considera curada graças a tratamentos neurológicos, psiquiátricos, terapias e, claro, exercício físico. “Adoro minha vida, minha família, meus amigos. Essas pessoas não me deixam desistir.” Orientação

A determinação de Darlene não é tão comum entre os pacientes com depressão. O psiquiatra Raphael Boechat indica exercícios aeróbicos (corrida, natação, bicicleta), mas nem sempre as pessoas aderem. “Um dos sintomas comuns é a apatia, a falta de vontade de fazer as coisas. Dificilmente, a pessoa começa a correr no início do tratamento”, destaca. De acordo com o médico, a prática de exercícios auxilia na liberação de substâncias que ajudam na sensação de bem-estar. Normalmente, o exercício é procurado quando o tratamento começa a dar resultado. “Eu tento indicar sempre que possível, mas também tenho que respeitar a vontade do paciente”, comenta. Boechat acredita que dores fortes e doenças como a de Darlene podem gerar quadros depressivos. “Muitos antidepressivos são usados para tratar a dor crônica.”

Mestre em fisiologia do exercício pela Universidade Castelo Branco, no Rio de Janeiro, Ronaldo Castrioto vê a inatividade e a falta de tratamento à depressão como problemas de saúde pública. “Os dois são considerados doenças e podem levar à morte”, alerta. Para ele, são muitos os benefícios dos exercícios, que devem ser sempre orientados e acompanhados por profissionais. “As dificuldades em ter um sono tranquilo são comuns na depressão e podem provocar alterações na pressão. Se ela for alta, pode aumentar; se for baixa, pode cair repentinamente. É muito importante uma orientação médica.”

De acordo com Castrioto, os exercícios ajudam a regular as atividades do corpo, estabilizando as intensidades de estresse e de depressão. “O exercício promove equilíbrios neuro-hormonais. Isso significa que a curva do humor não sobe tanto no estado ansioso e não desce tanto quando o estado é depressivo. É basicamente esse o efeito dos medicamentos”, explica. A melhora, diz, é visível. “A diferença é muito significativa. Vejo muitos pacientes depressivos que reduzem boa parte dos remédios com exercício físico.” Rafael Boechat ressalta, no entanto, que a atividade física deve ser vista como um complemento. “O exercício deve ser usado apenas como coadjuvante no tratamento de depressão. Não é nem pode ser um tratamento único”, defende. “Forçar a corrida não vai resolver. Não é tão simples assim.” Um é bom, três é cura

Foi no triatlo que Heglisson Gomes, 49 anos, encontrou forças para lutar contra crises de ansiedade que o levaram a uma depressão. Em 2007, ele saiu da Polícia Militar de Brasília para trabalhar na Polícia Federal, em Mato Grosso. Deixou mulher e filhos na cidade e encontrou uma realidade diferente da que estava acostumado. “A profissão pressiona muito o servidor, isso foi desenvolvendo a doença”, conta. Foram dois anos vivendo sozinho e encarando as pressões do trabalho até que conseguisse voltar para Brasília, amparado por uma decisão judicial.

Em Brasília, Heglisson era corredor de rua e começou a sentir palpitações no coração e tonturas enquanto corria. Achou que era um problema físico. Depois de três idas ao pronto-socorro e uma série de exames com um cardiologista, ele foi alertado de que o problema não era físico. Procurou um psiquiatra, que diagnosticou o problema como crise de ansiedade e depressão. “Eu já não tinha mais vontade de sair, ficava em casa sozinho e não tinha toda essa vontade de correr. E tudo coincidiu com a minha separação.” Ao comentar com o médico a falta de ânimo para correr, ele foi aconselhado a buscar outras modalidades. Foi aí que a natação e o ciclismo entraram na rotina do policial. Hoje, Heglisson treina duas horas por dia, sempre de manhã cedinho, às 6h. As crises pertencem ao passado. Atualmente, ele nada todos os dias e, depois, vai trabalhar.

Estudos com esultados diferentes

São muitas as pesquisas que defendem a prática de exercício como forma de prevenir ou curar a depressão. Enquanto um estudo na Universidade Southern Methodist, de Dallas, nos Estados Unidos, indica que 21 minutos diários ajudam a prevenir a doença, uma pesquisa feita pela Universidade de Bristol e Exter, da Grã-Betanha, conclui que não há evidências de que exercícios físicos combinados a tratamentos contra depressão influenciem as chances de melhora.

Polêmica, a pesquisa inglesa, publicada em 2012, analisou 361 pacientes depressivos. Um grupo recebeu, além dos medicamentos e terapia, ajuda para aumentar as atividades físicas. Depois de um ano, todos apresentavam menos sintomas, mas os pesquisadores não conseguiram ver diferenças entre o grupo que praticou exercícios e o que não praticou.

Ainda assim, estudos anteriores reforçam a hipótese de que a atividade física é um poderoso antidepressivo. Um deles, publicado em 2005 pela renomada Universidade de Harvard, concluiu que caminhadas rápidas de 35 minutos durante cinco dias por semana ou de uma hora três vezes por semana podem ter uma influência significativa em depressões leves e moderadas. Quando a caminhada dura apenas 15 minutos, afirmou o levantamento, a ajuda não é tão grande. A justificativa é a mesma do psiquiatra entrevistado pelo Correio: exercícios físicos aumentam a ação de endorfinas, que promovem sensação de bem-estar. (TC)

Fonte; Correio Braziliense

Compartilhe

Outros Artigos

Receba nossas novidades! Cadastre-se.


Fale Conosco

 

Conselho Regional de Enfermagem de Mato Grosso do Sul

Av. Monte Castelo, 269 - Monte Castelo, Campo Grande - MS, 79010-400

(67) 3323-3104 ou 3323-3105

presidencia@corenms.gov.br


Horário de atendimento ao público

segunda à sexta-feira das 8h às 17:00 (Exceto feriados)

Loading...