Enfermeira de MS se torna a primeira mestra indígena formada na Faculdade de Medicina da USP


21.07.2023

Enfermeira indígena do povo Guarani-Kaiowá, Indianara Ramires Machado, de Dourados-MS, defendeu no dia 18/07, em São Paulo/SP, a dissertação de mestrado no Programa de Pós-Graduação em Fisiopatologia Experimental da Faculdade de Medicina da USP-São Paulo.

A enfermeira, Dra. Indianara Ramires Machado, mestranda da Faculdade de Medicina (FM-USP), defendeu com sucesso a sua dissertação, intitulada “Análise interdisciplinar e intercultural sobre as pessoas vivendo com Vírus da Imunodeficiência Humana e a Síndrome da Imunodeficiência na população Guarani da Terra Indígena de Dourados em Mato Grosso do Sul”.

“Fico muito honrada em ser a primeira indígena defendendo trabalho de mestrado em 110 anos da Faculdade de Medicina na Universidade de São Paulo”, declarou Indianara ao Informativo Adusp. “Esperamos que nossa pesquisa venha contribuir para as melhorias nas políticas de saúde ofertadas para os Povos Indígenas”, completou.

Referência de saúde pública entre os povos indígenas, Indianara atuou como enfermeira numa unidade básica de saúde da aldeia Bororó (2013-2017) e depois como coordenadora técnica do Polo Base de Dourados do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) de Mato Grosso do Sul, vinculado à Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) do governo federal (2017-2020).

Pertencente à etnia Guarani Kaiowá, Indianara graduou-se no curso de Enfermagem do campus de Dourados da Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul (UEMS), em 2011. “Sempre gostei de cursos que são da área da saúde. Minha formação sempre foi uma construção coletiva, para mim, minha família e principalmente para a comunidade indígena”, contou.

Mestrado
Toda defesa é especial. Desta, porém, resultou o primeiro título de mestra concedido pela Faculdade de Medicina a uma indígena desde que a instituição existe, em 1913. Indianara Kaiowá, como ela é conhecida, teve como orientadora e coorientadora no mestrado, respectivamente, as professoras Maria de Lourdes Beldi de Alcântara e Cláudia Maria de Castro Gomes, ambas do Programa de Pós-Graduação em Fisiopatologia Experimental e do Laboratório de Patologia das Moléstias Infecciosas (LIM-50).

Indianara resumiu as dificuldades que precisou superar para completar o curso de graduação: “Eu morava na aldeia Bororó, não tínhamos transporte para a universidade, me deslocava até o ponto de ônibus mais próximo que ficava a 2,5 quilômetros de casa na aldeia Jaguapirú, para assim me deslocar até o terminal e então pegar o ônibus para a faculdade. Recebia o Vale Universidade Indígena [benefício instituído pelo governo estadual], que ajudava nas despesas”.

O Conselho Regional de Enfermagem de Mato Grosso do Sul (Coren-MS), parabeniza a profissional pela representatividade profissional e pela pesquisa desenvolvida.

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