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Lei das 30 horas completa um ano e vereadores garantem que luta ainda não acabou

Os representantes do legislativo alertam que isso só será possível com mais representatividade na instância estadual e federal

23.07.2018

Vereadores em visita a sede do Coren-MS

A lei que regulamentou as 30 horas para os profissionais da enfermagem, que atuam em regime de Urgência, Emergência e Similares na Rede Municipal de Saúde de Campo Grande, completa um ano nesta terça-feira (24). Os vereadores e enfermeiros, Cida Amaral e Hederson Frtiz, reforçam que a missão agora é levar o benefício a todos da categoria, não somente aos que atuam no município. Porém os representantes do legislativo alertam que isso só será possível com mais representatividade na instância estadual e federal, além da união de todos da categoria.

Conforme o Dr. Fritz, mesmo com a implantação da lei no município ainda existe negociações para expandir o benefício. Ele explica que, como vereador atua no âmbito municipal, reforça ainda, para que o direito seja implantado em todo o Estado a enfermagem precisa de uma representatividade expressiva nas cadeiras da ALMS (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul) e também uma forte expressão em Brasília com os deputados federais.

“A luta é antiga no Brasil, já são 18 anos que é a briga acontece no Senado e na Câmara Federal. infelizmente a enfermagem não tem uma representatividade política que fortaleça a busca por esse benefício”, disse Dr. Fritz.

Com o mesmo discurso, a enfermeira, Cida Amaral, disse que muitas vezes os trabalhadores da área da saúde desconhecem de que forma a política interfere na vida de cada um. Segundo a vereadora é possível expandir as 30 horas à todos por meio da política.

“Precisamos buscar meios políticos para que isso aconteça, temos que ter mais representantes na instancia estadual e federal”, afirmou.

Malefícios da sobrecarga

A Dra. Cida aponta que muitas doenças atingem os profissionais, como a síndrome de Burnout pouco lembrada no meio, além do suicídio e depressão. “Isso trás prejuízo à sociedade. Muitos trabalhadores são arrimos de família, caso fiquem doentes o salário, que já é pequeno fica menor ainda, pois podem ficar apenas com o benefício do INSS. Com isso o prejuízo à rede social acaba sendo maior”, acrescentou.

Síndrome de Burnout é um distúrbio psíquico que leva a depressão, é precedido por esgotamento físico e mental. Geralmente o distúrbio está ligado à vida profissional.

Benefícios

Para o Dr. Fritz a lei das 30 horas trás muitos benefícios ao trabalhador, ele começa destacando a qualidade de vida do profissional que tende a melhorar, tanto na parte do descanso, como alimentação e socialização.

“Dessa forma a equipe se torna mais coesa, descansada, estimulada o que reflete em um melhor atendimento ao paciente”, apontou.

Conforme o vereador, um estudo aponta que o maior número de CAT (Comunicação de Acidente do Trabalho), vem dos técnicos de enfermagem. Nesse estudo foi comprovado que isso é reflexo de uma sobrecarga, pois os maiores períodos de notificação são sempre ao final do trabalho quando o profissional tem uma jornada dupla.

“Em nível de município, hoje nós temos quase 40% de todas as demandas de licença médica elas são relacionadas ao CID [Código Internacional de Doenças] e ao desgaste. Então são os CID’s de estresse e depressão”, apontou.

Hederson afirma que com uma carga horária justa os profissionais podem fazer todas as ações preventivas em sua saúde e assim evitar doenças.

“Cuidar de quem cuida de gente”

A enfermeira, Dra. Cida Amaral, falou que é importante cuidar da saúde de quem cuida das pessoas. “Precisamos estar atentos e cuidar de quem cuida do outro, quando falamos de 30 horas, estamos falando de qualidade de vida. Pois temos que proporcionar a melhor assistência sendo que a razão do nosso trabalho é o paciente”, afirmou.

“Essa luta de 18 anos é na estancia federal, mas me formei na década de 80 onde nós já falávamos das 30 horas. E isso só não foi concretizado antes pela falta de representatividade política como disse meu colega, vereador Fritz”, lembrou.

Foto: arquivo Coren-MS

A lei que regulamentou as 30 horas foi assinada em 24 de julho do ano passado pelo prefeito de Campo Grande, Marquinhos Trad, na ocasião o chefe do executivo disse que essa lei não se tratava de uma regalia, mas sim a restauração da justiça.

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